
A teoria tradicional de currículo baseada numa formação em ritmo de mercado atende as demandas do mundo capitalista desde os primeiros passos da industrialização. Hoje as coisas parecem não ter mudado muito. Em matéria veiculada pelo jornal eletrônico "Clic RBS" no dia 06/10/2010, o economista Marcelo Neri diz:"na corrida de obstáculos entre oferta e demanda de e por trabalhadores mais qualificados, a educação profissional desempenha papel central, pois além de ser de prazo mais curto e permitir maior facilidade de conciliar trabalho e estudo, ela se volta mais diretamente às necessidades e nichos dos diferentes negócios.” Nesse sentido a educação deve ser estritamente focada para a habilitação da pessoa. Ou seja, a educação não tem caráter emancipatório e sim de formação de “mão de obra”. Mas isso é contestável, veja o que diz a Folha Dirigida do dia 26/08/2010: ”O que os estudantes mais desejam é conseguir ingressar no mercado de trabalho e alcançar a realização profissional. Para isto, milhares de jovens buscam ingressar em universidades e faculdades de todo o país. Porém, chegar ao ensino superior ainda está longe de ser garantia de uma colocação de destaque no mercado. Mesmo após frequentarem os bancos universitários por três, quatro, cinco anos, não são poucos os recém-formados que ainda chegam despreparados às empresas. E a causa já é conhecida há tempos: as salas de aulas geralmente não conseguem se aproximar da realidade das organizações onde os alunos se tornam funcionários. O enfoque teórico que muitos cursos possuem contrasta com as demandas de natureza prática das empresas.” (grifos meus).
Reflexões:
Penso que o paradoxo está ligado ao desenvolvimento que atualmente passa o nosso país. Quando nas formulações de uma Teoria Tradicional de currículo se pensava a industrialização e a habilitação d@ trabalhador/a para a lide com as maquinas, pensava-se em uma sociedade talvez de solidariedade orgânica como afirmava Durkheim, que daria conta da divisão social do trabalho. Portanto era também papel da escola a formação profissional da pessoa.
Hoje o Brasil passa por um crescimento jamais visto por essa geração escolar (3 décadas democráticas). No entanto confundiu-se muito a formação humana com a formação laboral, resultado do rechaço a área das humanas durante todo um longo período autoritário. Melhor dizendo, excluiu-se a formação humana dos bancos escolares (as humanas estão no currículo, mas um exemplo é a sociologia que na maioria dos vestibulares não é cobrada), o que me leva a pensar que a educação atual é um estilhaço do passado, mesmo que atualizado em demanda por mão de obra. A escola voltou a lógica antiga, discurso renovado, é claro. As ocupações são diversas com a flexibilização e a dinâmica nova do trabalho e o currículo perdendo sua essência alinha-se ao flexível e ao dinâmico interessantes ao capital. O currículo, portanto, fala pelos cotovelos. Para @ alun@ não há espaço, est@ deve calar-se.
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