terça-feira, 5 de julho de 2011

Projeto de Ensino

Autores: Bruna Avila e Matheus Acosta


Título: “Águas para vida, não para a morte”


Contexto: Projeto interdisciplinar para alunos do ensino médio.


Justificativa: Propor este projeto, bem como seu título “Águas para vida, não para a morte” é trazermos para a sala de aula uma discussão crítica sobre a água, pouco trabalhada nas salas de aula, trabalhando outras realidades com o aluno como a dos movimentos sociais, tão criminalizados pela maioria dos discursos. Através de um debate interdisciplinar entre Sociologia, Geografia, Química e Biologia e História, estabeleceremos pontes de conhecimento acerca das relações sociais e a problemática de pensarmos a água como bem de consumo. A proposta do projeto é que o aluno experimente uma nova maneira de construir o conhecimento a partir da vivência real com os movimentos sociais e consiga articular as diferentes áreas de conhecimento em uma realidade social específica (sua, ou do movimento dos atingidos por barragens). O tema da água é algo que precisa ser trabalhado já que vivemos em uma ilha rodeada pela imensidão dos mares e um estado que possui abundância de água, bem como um dos estados que comporta o aquífero-guarani e nesse mesmo estado, a água pode significar o desapossamento de grandes comunidades camponesas para a geração de energia elétrica. Tendo em vista a complexidade desse tema, trazemos a luz as peculiaridades geográficas e históricas da água na vida dos catarinenses, muito influenciados pela vida marítima, e também de lutas sociais.


Objetivos: O intuito deste tema é fazer com que os alunos reconheçam as inúmeras relações sociais que o consumo da água estabelece no mundo. Mostraremos que a água além de ter grande importância no processo biológico, tem grande influencia na interação social. O aluno terá possibilidade de ver essa relação HOMENS<=>ÁGUA, através de uma visão sociológica, ou seja, da totalidade às particularidades que envolvem essa substancia, essencial para a vida na terra. Para além disso, propomos a conscientização dos alunos a partir de uma aproximação ao Movimento dos atingidos por barragens (MAB).


Conteúdos abordados:


  • Mercantilização da água; Água como relação social; Água para que? Para quem? (Sociologia);

  • Água, consumo, energia e relação social (Geografia Humana e Política);

  • Composição química da água e poluição, relação Água/corpo (Química, Biologia);


Desenvolvimento do projeto:


A primeira atividade a ser desenvolvida junto aos alunos será uma roda de debates. Participarão deste espaço os professores das áreas envolvidas, Sociologia, Geografia, Química, Biologia e História O subsídio didático para o debate será disponibilizado em forma de pequenas noticias trazidas pelos próprios alunos. Após a leitura em sala de aula de algumas noticias, os professores fomentarão o debate com algumas questões pertinentes a cada disciplina e também de caráter interdisciplinar. Para terminar essa primeira aproximação ao tema, exibiremos um curta chamado “O preço da luz é um roubo”, feito pelo mutirão “Brasil novo” que debate sobre um novo modelo energético para o país.


As próximas atividades serão desenvolvidas nas horas-aulas de cada disciplina, com exceção às duas saída de campo.


A disciplina de Sociologia tratará mais especificadamente sobre:


  • Mercantilização da água: Água como bem de consumo; Água como um direito?; Capitalismo dependente. Os alunos assistirão a aulas expositivas intercalando com aulas práticas (consultas bibliográficas e pesquisas). Exibição de filmes: Xingu - o sangue da nossa sobrevivência direção de Andréa Rossi (MAB), que trata da construção da usina de Belo Monte em área indígena; Complexo Madeira expulsa ribeirinhos, "Progresso" em nome do capitalismo financeiro expulsa ribeirinhos do Rio Madeira em Rondônia.


Geografia Humana e Política:


  • O Aquífero Guarani é o maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo; Observação crítica de mapas (conflitos sociais e água); Consumo e escassez de água; 40 anos da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (CASAN), Por que Florianópolis não é um exemplo em saneamento?; O professor de Geografia em conjunto aos professores das outras disciplinas fará uma saída de campo à central de abastecimento. O intuito desta visita é reconhecer a ação do homem na qualidade e na distribuição de água, bem como sua influência política;


Química:


  • Composição química da água e tratamento; Como acontece a poluição; Como se formam as pontes de hidrogênio?;


Biologia:


  • Seres vivos e a água; Água e o corpo, quanto de água tem seu corpo?;


História:

- Movimentos messiânicos em Santa Catarina; História da Colonização; A vida marítima, a proximidade do homem com o mar através da pesca e sua história;



Saída de campo: A última etapa deste projeto é uma visita de campo ao reassentamento de agricultores do Movimento dos atingidos por barragens na cidade de Cerro Negro, meio-oeste de Santa Catarina. Lá os alunos poderão conhecer de perto a realidade social destes agricultores, bem como vivenciar ao menos 1 dia de suas vidas. Os alunos deverão escrever diário de campo envolvendo conteúdos de todas as disciplinas. Suas anotações não serão avaliadas, mas servirão de material empírico para o desenvolvimento de um trabalho final.


Socialização dos resultados: Será realizada apresentação aberta a comunidade com apresentação de seminários. Os alunos poderão utilizar power-point, vídeo, áudio e ensaio escritos que terão seus resumos apresentados publicamente.


Avaliação: os alunos serão avaliados de acordo com sua participação nas atividades propostas, lembrando que o diálogo estará sempre aberto permitindo um questionamento dos alunos perante as atividades propostas, podendo elas serem rearranjadas coletivamente sempre pensando nas propostas orientadoras do projeto. A avaliação segue de forma individual perante o desempenho do aluno no desenvolvimento do tema e no coletivo. A avaliação final deverá apresentar alguma temática relaciona à água. Alguns exemplos: relevância social da água; água e sociedade; reutilização da água; água e urbanização; remanejamento de pessoas para lugares que tenham água ou para a utilização do espaço na construção de usinas hidroelétricas. Os alunos deverão articular os temas tratados nas disciplinas, de forma a contemplar todas as áreas de conhecimento envolvidas nesse projeto. Assim, o aluno aprende a não tratar os temas apenas em suas especificidades, mas também a desenvolver um olhar críticos a partir da totalidade. A avaliação não consistirá em algo já pré estipulado, ela será adequada ao desenvolvimento do projeto.


Referências:

PCN http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/cienciah.pdf acessado em 01 de julho de 2011

http://www.mabnacional.org.br acessado em: 01 de julho de 2011

http://www.daaeararaquara.com.br/guarani.htm acessado em 01 de julho de 2011

http://www.casan.com.br acessado em 02 de julho de 2011

http://aguaamericalatina.blogspot.com/2008/11/mapa-da-escassez-no-mundo.html acessado em 02 de julho de 2011

http://www.revistahistoriacatarina.com.br/ acessado em 02 de julho de 2011


FERNANDES, Florestan. Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina. São Paulo: Global , 2009.

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